
Nunca gostei de brincar de boneca. Sempre achei uma bobagem fingir que alimentava um pedaço de plástico que tinha cabelo sintético e panelas em tamanho miniatura. Se tivesse nascido há uns cinqüenta anos, talvez seria uma mulher à frente do meu tempo. Mas hoje em dia sou vulgarmente classificada de mulher moderna. Gosto mesmo é de cuidar de bicho-homem, bicho-mulher, bicho-criança, bicho-bicho. Quase uma Amélia pós-moderna.
Não tenho vergonha de conversar sobre sexo, quando é preciso falo palavrões, não tenho medo de parecer engraçada. Mas tenho medo de ficar sozinha. De ser esquecida por pessoas inesquecíveis, de ficar à margem dos deveriam se preocupar comigo, de apodrecer dentro de um apartamento de solteira de frente pro mar.
Já encontrei minha alma gêmea, minha metade, meu homem, o que me completa, acolhe, irrita, alegra, chateia, emociona e que, principalmente, me ama e me faz infinita. Porque não pense que a tampa da sua panela nunca vai te apertar os calos, porque ela vai sim. Não sei se homens são mesmo de Marte e as mulheres de Vênus, mas seja lá de onde formos, fomos feitos um para o outro.
Quando ele me chateia, eu choro. Quando ele me entristece, faço manha. Quando ele irrita, eu grito. Quando ele me esquece, eu brigo. Mas quando ele me ama, eu gozo e grito mais ainda. E quando ele me beija, eu sonho. Quando ele me nina, eu durmo feliz. Quando ele me acalma, eu flutuo.
E quando eu desabafo, ele me entende. Quando falo sem parar, ele escuta. Quando choro, ele fica com o coração apertado e me aperta. Quando preciso, ele está lá, mas no tempo dele e não no meu, e preciso respeitar. Quando fico manhosa, ele me diz que me ama, e me jura. Jura que é pra sempre.
E eu acredito. Porque o amor é assim. E não tenho mais medo de morar de frente pro mar, porque não vou estar sozinha.
escrito em 19/01/05por Isa L.