Silenciosa Imperfeição

Um lugar para eu falar o que tenho vontade e quando tenho vontade. Um lugar para amigos e desconhecidos me lerem e me dizerem se entenderam. Um blog por definição.

Tuesday, June 13, 2006

Almas Gêmeas


Dois corpos, dois espíritos
Dois diferentes pensamentos
Voltados para o mesmo ideal.
Uma relação sem conflitos
Quiçá com juramentos
Simplesmente um casal.
São gêmeos, idênticos
Do outro quase redundância
De tanto que se completam.
Contudo, muito autênticos
Cada qual com suas esperanças
Amor sempre despertam.
Não suportam a dor da partida
Sem seu par ficam aflitos
E só o carinho os acalma.
Feitos sob divina medida
Dois corpos, dois espíritos
Mas unidos pela alma.

Wednesday, March 08, 2006

Sem inspiração







Como o velho malandro de Chico
Chacoalho, não no trem, na cama
De um lado para outro
Para me aquietar na solidão
Da noite que me engana.

E debaixo dos caracóis de Caetano
Escondem-se segredos que busco
A Alegria, Alegria de hoje e sempre
Que meu peito se nega a enxergar
Embaixo de tanto musgo.

Domingo no Parque queria ver Gil
Com sua musicalidade aflorada
Aprender com sua experiência
Criar como quem respira
Uma toada iluminada.

E no Oceano de emoções de Djavan
Perder-me toda em devaneios
E se... alguém me disser sim
Nunca hesitar ou dizer não
Chega de tolices e receios!

Finalmente, na voz firme de Elis
Saudosismo e inspiração
Fundem-se, deslizando pelo papel
E equilibro-me na corda bamba da vida
Bêbada de intensa emoção...

por Isa L.

Thursday, February 23, 2006

Da janela


Meus olhos vêem o que quero.
Os pombos na praça,
Um chafariz antigo,
Amendoeiras, merendeiras,
Nuvens cheias de graça,
Um abraço amigo.

Mas me marcam as tristezas.
O pedinte faminto,
A mamãe sem esperança,
Choradeira, britadeira,
A pobreza que não sinto,
O desempregado sempre em andança...

Vejo da beleza o máximo e a tristeza nas ruas tortas.

por Isa L.

Thursday, February 09, 2006

Mudança


Subitamente, um longo suspiro
Corta o silêncio tétrico
Uma reflexão sobre o que admiro
E uma busca pelo conhecimento cético.

Paulatinamente, galgo um novo ser
Buscando que seja em sólidas bases,
E encontro a primeira barreira das muitas a aparecer
Mas, confiante, procuro soluções eficazes.

Tristemente, uma lágrima cai
De olhos que já não vêem o sucesso
E nenhuma beleza mais me atrai
Enquanto minha busca continua sem progresso.

Inocentemente, tento ser radical
Indo de encontro à minha própria vontade
E percebo que esta não é a atitude ideal
E de mim mesma sinto saudade...

Humildemente, caio de joelhos
E, sem pretensões, mudo lentamente
Escutando meus internos conselhos

E uma nova pessoa sou, finalmente!

por Isa L.

Sunday, February 05, 2006

A menina e a flor


Passeava descuidada, a menina
Por um belo jardim colorido
Sem perceber que grande chacina
Seus faziam no tapete florido.

Arrancava, sem piedade,
Pétalas de seus respectivos caules
E inocente em sua liberdade,
Continuava produzindo males.

Foi quando seus olhos avistaram
A mais linda flor do campo,
E suas mãos, enfim, sentiram
A delicadeza, e a menina caiu em pranto.

É que a beleza daquela flor
Merecia ser preservada
Foi assim que ela descobriu que o amor
É como uma flor que diariamente deve ser regada...

em 13/11/2000
por Isa L.

Saturday, January 28, 2006

Transcendendo o Amor







Amamos o outro não só pela honestidade, bondade e outras qualidades que fingimos procurar num homem. Amamos pelas pequenas coisas, pela massagem nas costas, pelo perfume, pelo espirro. Amamos porque olhamos e nos vemos nos olhos dele, porque ele faz parte da gente.

E cada gesto é um chamado,
cada olhar é um afago
e cada sorriso é uma benção...

Amar não é um verbo, porque não amamos sozinhos, nem nos bastamos.
O verbo transcende o que seu significante tenta mostrar e se torna
o significado da vida.

em 18/01/2001
por Isa L.

Thursday, January 26, 2006

Madrugada Vazia






Depois do som da porta, resta-me apenas o silêncio. Este, contudo, não me é reconfortante. Sinto que preferia o som rouco de um ranger de porta a esta solidão que me consome sem dó. E não há ninguém que possa cortar este silêncio. Respiro forte, então.

Deito-me no sofá e recosto a face no travesseiro. Ele já estaria à minha espera? Há vida lá fora. Muita. Posso senti-la pulsar em meus ouvidos. Descompassada sim, mas viva. E o calor desta vida inquieta-me.

Quero apenas alguém com quem conversar. Dizer bobagens. Rir. Talvez, gargalhar. Compartilhar de meus cigarros. Não os quero todos. Não os preciso. Mas, onde achar? Será que está no bar, onde a boemia sempre está? Ou na escuridão fria da noite que cai pelas ruas deste bairro quase morto? Será que se esconde na neblina?
Creio que não.

Minha companhia está dentro de mim, aprisionada por meus medos e preconceitos. Preciso resgatá-la, trazê-la à tona... mas como? Tantas perguntas... e meus cigarros amassados no bolso continuam calados. Fico então com meus vinte amigos, um para cada lágrima solitária que molhar meu travesseiro. Solitárias e teimosas, insistindo em rolar em noites como esta.

em dezembro de 2001
por Isa L.

Monday, January 23, 2006

Pecados








Ontem, eu pequei
Cometi excessos
Pirei
Fiz comentários desconexos
E nem assim me aliviei

Mas se exceder é pecado?
Ciúme demais
Amor demasiado
ou mais uma paixão fugaz?

Hoje, também pequei
Tudo pela metade
Pouco empenho, errei
Vivi sem necessidade
E novamente me equivoquei

A falta também é pecado?
Autoconfiança sem ciúme, nada
Amor morno, parado
E somente o sono na madrugada.

Amanhã, certamente pecarei
Seja por viver intensamente
Seja por ficar aonde fiquei
Tanto por correr como demente
Quanto por levar vida de rei

Impossível ficar no meio
Os extremos é que me são galantes
Luxúria ou preguiça, receio
E o amanhã não será como antes...

em 23/11/2000

Saturday, January 21, 2006

Infinitamente sua


Nunca gostei de brincar de boneca. Sempre achei uma bobagem fingir que alimentava um pedaço de plástico que tinha cabelo sintético e panelas em tamanho miniatura. Se tivesse nascido há uns cinqüenta anos, talvez seria uma mulher à frente do meu tempo. Mas hoje em dia sou vulgarmente classificada de mulher moderna. Gosto mesmo é de cuidar de bicho-homem, bicho-mulher, bicho-criança, bicho-bicho. Quase uma Amélia pós-moderna.

Não tenho vergonha de conversar sobre sexo, quando é preciso falo palavrões, não tenho medo de parecer engraçada. Mas tenho medo de ficar sozinha. De ser esquecida por pessoas inesquecíveis, de ficar à margem dos deveriam se preocupar comigo, de apodrecer dentro de um apartamento de solteira de frente pro mar.

Já encontrei minha alma gêmea, minha metade, meu homem, o que me completa, acolhe, irrita, alegra, chateia, emociona e que, principalmente, me ama e me faz infinita. Porque não pense que a tampa da sua panela nunca vai te apertar os calos, porque ela vai sim. Não sei se homens são mesmo de Marte e as mulheres de Vênus, mas seja lá de onde formos, fomos feitos um para o outro.

Quando ele me chateia, eu choro. Quando ele me entristece, faço manha. Quando ele irrita, eu grito. Quando ele me esquece, eu brigo. Mas quando ele me ama, eu gozo e grito mais ainda. E quando ele me beija, eu sonho. Quando ele me nina, eu durmo feliz. Quando ele me acalma, eu flutuo.

E quando eu desabafo, ele me entende. Quando falo sem parar, ele escuta. Quando choro, ele fica com o coração apertado e me aperta. Quando preciso, ele está lá, mas no tempo dele e não no meu, e preciso respeitar. Quando fico manhosa, ele me diz que me ama, e me jura. Jura que é pra sempre.

E eu acredito. Porque o amor é assim. E não tenho mais medo de morar de frente pro mar, porque não vou estar sozinha.

escrito em 19/01/05
por Isa L.

Wednesday, January 18, 2006

Pra começar...


Monólogo

Ssshh...
Não fale!
Permita que a cândida lua – esta mesma que nos ilumina em meus pensamentos – nos faça ser um só. Mas mudo.
Não...
Para quê insistir em falar se já sei o que vou escutar?
Quer um porquê. Então, olhe para mim...
Nunca me olha nos olhos... por quê?
Concordo. Chega de porquês.
Insisto, olhe para mim...
Sou eu. Imperfeita, talvez mal-feita. Um ser humano.
Só que não sou um qualquer...
Parece que tem medo do que pode encontrar nos olhos.
Ternura, paixão, amor, loucura?
É muito mais simples.
Simplesmente você.
É, é isso que veria. Sua imagem refletida em minha íris.
O problema é que você sempre se vai.
E consigo leva a imagem.
Imperfeita, eu sei, também tem seus defeitos.
Mas, isso importa?
Não... quieto!
Já sei! Dê-me sua mão. Sente?
É incrível como o calor de sua mão sob a minha aconchega minha alma.
Não me olhe assim...
Seus olhos revelam mais do que sua consciência percebe.
Aliás, como são lindos...
Não só seus olhos, como também tudo o que te cerca.
Estaria eu filtrando-lhe com a lente do afeto?
A vida é assim mesmo.
Imperfeita, bem sei, mas afeita à correções.
Corrija-me! Ensina-me suas lições que mostro-lhe o pouco que pude absorver da vida. Mas, mudos.
Não ria...
Se meus sentimentos não são dignos de tua afeição, seriam eles então de sua risada?
Sendo assim, ria.... gargalhe..... só não me olhe como assim. Sem magia. Sua impulsividade é mágica, sabia? Pode mudar o marasmo do viver.
Encosta mais.
Não tema. Meus sentimentos são imperfeitos, mas são seus. Todos.
Olhe para mim! Isso...
Agora, não mais me olhe. Sinta.
A força do meu olhar não foi percebida; o calor de minhas mãos não foi recebido; mas como irá fugir agora?Nos mistérios dos meus beijos (imperfeitos) se perderá...
escrito em 15/12/2000
registrado na Biblioteca Nacional