Silenciosa Imperfeição

Um lugar para eu falar o que tenho vontade e quando tenho vontade. Um lugar para amigos e desconhecidos me lerem e me dizerem se entenderam. Um blog por definição.

Saturday, January 21, 2006

Infinitamente sua


Nunca gostei de brincar de boneca. Sempre achei uma bobagem fingir que alimentava um pedaço de plástico que tinha cabelo sintético e panelas em tamanho miniatura. Se tivesse nascido há uns cinqüenta anos, talvez seria uma mulher à frente do meu tempo. Mas hoje em dia sou vulgarmente classificada de mulher moderna. Gosto mesmo é de cuidar de bicho-homem, bicho-mulher, bicho-criança, bicho-bicho. Quase uma Amélia pós-moderna.

Não tenho vergonha de conversar sobre sexo, quando é preciso falo palavrões, não tenho medo de parecer engraçada. Mas tenho medo de ficar sozinha. De ser esquecida por pessoas inesquecíveis, de ficar à margem dos deveriam se preocupar comigo, de apodrecer dentro de um apartamento de solteira de frente pro mar.

Já encontrei minha alma gêmea, minha metade, meu homem, o que me completa, acolhe, irrita, alegra, chateia, emociona e que, principalmente, me ama e me faz infinita. Porque não pense que a tampa da sua panela nunca vai te apertar os calos, porque ela vai sim. Não sei se homens são mesmo de Marte e as mulheres de Vênus, mas seja lá de onde formos, fomos feitos um para o outro.

Quando ele me chateia, eu choro. Quando ele me entristece, faço manha. Quando ele irrita, eu grito. Quando ele me esquece, eu brigo. Mas quando ele me ama, eu gozo e grito mais ainda. E quando ele me beija, eu sonho. Quando ele me nina, eu durmo feliz. Quando ele me acalma, eu flutuo.

E quando eu desabafo, ele me entende. Quando falo sem parar, ele escuta. Quando choro, ele fica com o coração apertado e me aperta. Quando preciso, ele está lá, mas no tempo dele e não no meu, e preciso respeitar. Quando fico manhosa, ele me diz que me ama, e me jura. Jura que é pra sempre.

E eu acredito. Porque o amor é assim. E não tenho mais medo de morar de frente pro mar, porque não vou estar sozinha.

escrito em 19/01/05
por Isa L.