Silenciosa Imperfeição

Um lugar para eu falar o que tenho vontade e quando tenho vontade. Um lugar para amigos e desconhecidos me lerem e me dizerem se entenderam. Um blog por definição.

Wednesday, January 18, 2006

Pra começar...


Monólogo

Ssshh...
Não fale!
Permita que a cândida lua – esta mesma que nos ilumina em meus pensamentos – nos faça ser um só. Mas mudo.
Não...
Para quê insistir em falar se já sei o que vou escutar?
Quer um porquê. Então, olhe para mim...
Nunca me olha nos olhos... por quê?
Concordo. Chega de porquês.
Insisto, olhe para mim...
Sou eu. Imperfeita, talvez mal-feita. Um ser humano.
Só que não sou um qualquer...
Parece que tem medo do que pode encontrar nos olhos.
Ternura, paixão, amor, loucura?
É muito mais simples.
Simplesmente você.
É, é isso que veria. Sua imagem refletida em minha íris.
O problema é que você sempre se vai.
E consigo leva a imagem.
Imperfeita, eu sei, também tem seus defeitos.
Mas, isso importa?
Não... quieto!
Já sei! Dê-me sua mão. Sente?
É incrível como o calor de sua mão sob a minha aconchega minha alma.
Não me olhe assim...
Seus olhos revelam mais do que sua consciência percebe.
Aliás, como são lindos...
Não só seus olhos, como também tudo o que te cerca.
Estaria eu filtrando-lhe com a lente do afeto?
A vida é assim mesmo.
Imperfeita, bem sei, mas afeita à correções.
Corrija-me! Ensina-me suas lições que mostro-lhe o pouco que pude absorver da vida. Mas, mudos.
Não ria...
Se meus sentimentos não são dignos de tua afeição, seriam eles então de sua risada?
Sendo assim, ria.... gargalhe..... só não me olhe como assim. Sem magia. Sua impulsividade é mágica, sabia? Pode mudar o marasmo do viver.
Encosta mais.
Não tema. Meus sentimentos são imperfeitos, mas são seus. Todos.
Olhe para mim! Isso...
Agora, não mais me olhe. Sinta.
A força do meu olhar não foi percebida; o calor de minhas mãos não foi recebido; mas como irá fugir agora?Nos mistérios dos meus beijos (imperfeitos) se perderá...
escrito em 15/12/2000
registrado na Biblioteca Nacional